Durante o crescimento da criança a descoberta e a consciência de seu corpo acontecem de imediato e de uma forma muito natural, para a mente o processo não é tão simples.

A pesquisa da neurociência pode ajudar no sentido de olhar para novos modelos pedagógicos que podem ajudar a criança a entender seu pleno potencial e para orientar o seu desenvolvimento.

Uma nova pedagogia que tenha sucesso a partir dos primeiros anos de vida para orientar a criança a descobrir o seu mundo interior, seus pensamentos, suas emoções e aspirações, é de fundamental importância no processo de tornar-se consciente do seu potencial, não só físico , mas também cognitivo.

As pesquisas nesta área estão de acordo com as descobertas da cientista italiana Rita Levi Montalcini, uma das primeiras a construir uma ponte entre a neurociência e a educação demonstrando o potencial evolutivo de aprendizagem graças ao estímulo do potencial humano solicitado a partir do contexto. Com base nestes resultados, para a cientista italiana foi necessário não só continuar a estudar estas capacidades únicas, mas também aplicá-las a uma pedagogia que trata de tornar as crianças conscientes do enorme potencial que está escondido em sua mente.

Muitas vezes, até a adolescência, os jovens ignoram a maioria dos processos em que seus cérebros, que poderíamos definir o hardware e a mente, o software, não estão apenas envolvidos, mas muitas vezes protagonistas absolutos.

Em um estudo intitulado “Young Children’s Changing Conceptualizations of Brain Function: Implications for Teaching Neuroscience in Early Elementary Settings” os psicólogos Peter Marshall e Cristina Comalli da Temple University na Filadélfia decidiram investigar o assunto e pediram a um grupo de crianças de 4 a 13 anos para que atenda o proprio cérebro. O 96% respondeu simplesmente “a pensar”.

O estudo, publicado na “Early Education and Development”, envolveu um total de 86 famílias norte-americanas e as suas 53 crianças divididas em três faixas etárias.

O objetivo era descobrir quanto as crianças sabem sobre o cérebro e suas funções, a partir de perguntas simples sobre suas vidas diárias.

Na primeira parte da pesquisa as crianças foram submetidas questões sobre a relação entre os sentidos, as emoções ea atividade do cérebro, tais como: “você está usando seu cérebro enquanto você cheira uma flor, provando algo de bom, você se sente feliz ou quando você está pensando em alguma coisa? “.

As respostas das crianças mostraram uma consciência das funções de seu cérebro diretamente proporcional à sua idade.

Crianças da faixa de 4 a 6,5 anos, por exemplo, tendem a pensar muito mais do que seus cérebros são feitos para pensar (94%) e muito menos do que está envolvido no cheirar uma flor (12%) ou saborear algo de bom (12).

Nas respostas das crianças na faixa intermediária (6,5 a 9) o cérebro é sempre considerado altamente responsável pelo pensamento (94%), mas em boa proporção (39%) também de sentir-se feliz, de sentir os sabores e cheiros.

As crianças mais velhas (9-13,5), enfim, que também acreditam que o cérebro em 100% dos casos está envolvidos no pensamento, têm uma maior consciência de que os sentidos como olfato (cheirar flores 72%), gosto (provar algo 83%) ou emoções (sentir-se feliz 72%) estão relacionados com a atividade do cérebro.

Os resultados destes testes são particularmente interessante se os compararmos com aqueles de um estudo realizado por Johnson e Wellman, em 1982. Embora que nos últimos anos a pesquisa da neurociência produziu descobertas significativas, o funcionamento do cérebro mostra que, hoje como 30 anos atrás é um assunto pouco aprofundado, tanto na escola como em casa. Isto, juntamente com a impossibilidade por crianças de adquirir experiência prática na observação deste órgão importante durante a fase de seu crescimento, ajuda a formar, especialmente em crianças mais jovens, a crença de que a função cerebral é relegada só ao pensamento.

Cerca de 9 anos, no entanto, as crianças começam a olhar para o seu corpo como uma máquina que funciona através de diferentes sistemas que funcionam entre eles e para envolver os sentidos e emoções na atividade cerebral.

Marshall e Comalli no entanto, estão convencidos que os alunos menores podem começar esta viagem da consciência no primeiro ano do ensino primário e por isto eles construíram para as crianças da faixa etária inferior das mini-lições de 20 minutos sobre o funcionamento do cérebro e seu envolvimento com os cinco sentidos e emoções.

Os testes propostos três semanas mais tarde mostraram que vinte minutos foram suficientes para melhorar o conhecimento das crianças sobre as funções do cérebro humano, os resultados comparados com os de uma palestra, com o mesmo tempo, sobre a vida das abelhas.

As descobertas de pesquisadores da Temple University vão na mesma direção do estudo da psicóloga Carol Dweck, da Stanford University de 2007.

A pesquisa mostrou como o conhecimento dos alunos sobre o potencial de seu cérebro, suas funções e, especialmente, sua plasticidade, aumenta a motivação e a resiliência na sua formação e crescimento.

Quando a atenção dos alunos está focada no entendimento de que as suas capacidades cognitivas podem ser treinadas e melhoradas, eles provaram-se mais capaz de enfrentar os pequenos decepções e problemas de caminho e mais motivados em conseguir melhores resultados escolares.

Os resultados da pesquisa de Dweck e a idéia de Marshall e Comalli para iniciar as crianças do primeiro grau a uma “pedagogia da neurociência” vão para um caminho de crescimento global da criança que possa permitir agora de ganhar consciência do potencial infinito não só de seu corpo, mas também da sua mente, para torná-lo pronto para enfrentar os desafios da vida.

BIBLIOGRAFIA

– Bloom P., Buoni si nasce. Le origini del bene e del male, Le Scienze, 2014.

– Murphy-Paul A., What kids should know about their own brain, KQED, 2012.

– Marshall P. J., Comalli C. E., Young Children’s Changing Conceptualizations of Brain Function: Implications for Teaching Neuroscience in Early Elementary Settings, Early Education and Development, 2012.

– Dweck C.S., Blackwell L.S., Implicit Theories of Intelligence Predict Achievement Across an Adolescent Transition: A Longitudinal Study and an Intervention, Early Education and Development, 2007.

Artigo original:

http://www.fondazionepatriziopaoletti.org/news/923/una_pedagogia_delle_neuroscienze_perche_si.html

Tradução: Silvia Brambilla (Colégio Rainha da Paz – Aracati – CE)