Crianças que crescem em um ambiente multilíngue desenvolvem algumas estruturas cognitivas antes e melhor do que seus pares monolíngues.

E’ o que diz uma pesquisa feita pelo prof. Jacques Mehler, professor de neurociência e diretor do laboratório de “linguagem, cognição e desenvolvimento” da SISSA (Escola Internacional de Estudos Avançados) de Trieste, em colaboração com Agnes Kovacs Melinda.

O estudo, publicado na revista “Science“, mostrou que o bilingüismo tem um efeito positivo sobre as “funções executivas“, os processos cognitivos cruciais na gestão, planejamento , coordenação e controle das ações.

A Assisi International School, jardim de infância e escola primária Montessori da Fundação Patrizio Paoletti, fez exatamente do bilinguismo o pilar fundamental da sua oferta de formação.

Todos os programas educativos, destinados a crianças com idade entre 2 a 11 anos, incluem o bilinguismo (italiano e Inglês), com a oportunidade de escolher uma terceira língua (espanhol).

Antes mesmo que ela começa a falar, uma criança exposta a duas línguas desde o nascimento pode distinguir claramente entre duas línguas diferentes, reconhecendo mais facilmente regularidade gramatical e estruturas linguísticas. O cérebro destas crianças, mais plástico e maleável, pode desenvolver umas habilidades de aprendizagem precoce mais refinado.

Os neurocientistas da SISSA conduziram o experimento envolvendo dois grupos de crianças de até 12 meses, um grupo bilíngüe e um monolingue, em uma tarefa que exigia o controle das funções executives, que depois haveria favorecido uma comparação entre os dados dos dois grupos.

As crianças foram apresentados dois tipos de sequências trisillabiche: um, que seguiu o padrão ABA, em que a primeira e a terceira sílaba foram as mesmas (tal como “lobalo” ou “mubamu”) e outro, a partir do esquema do AAB, em que as sílabas foram iguais ao primeiro e segundo (tais como “loloba” e “mimifu”).

Imediatamente depois de ouvir o estímulo sonoro, em uma tela colocada em frente das crianças parecia um fantoche: à esquerda, se a seqüência de sílabas era o tipo AAB, à direita se era do tipo ABA.

A tarefa das crianças era de antecipar o lado da tela no qual teria aparecido o fantoche após o estímulo sonoro. Para ter sucesso as crianças tinham de compreender as regularidades estruturais presentes em estímulos verbais,

associando à cada estrutura linguística um lado da tela onde desviar o olhar.

Os pesquisadores descobriram que as crianças bilíngües poderiam muito melhor do que outros na tarefa. Elas aprenderam muito facilmente as duas estruturas linguísticas e usaram-lhes simultaneamente para reagir rapidamente à mudança de situação. As crianças monolíngües, no entanto, foram capazes de realizar a tarefa corretamente somente com a estrutura verbal AAB.

A vantagem das crianças bilíngües podem ser resumida, então, à capacidade de saber como lidar seletivamente os estímulos do mundo exterior e para ser capaz de considerar apenas o que interessa em um determinado contexto para alcançar um objetivo pré-definido.

O estudo de dois pesquisadores da Escola de Trieste oferece uma ferramenta mais para reconhecer o valor do sistema educacional de Assisi International School, já bem estruturada sobre os fundamentos sólidos dos princípios da Montessori.

Além da vantagem puramente lingüístico, que uma criança que sabe dois idiomas sem dúvida terá em uma sociedade multicultural como a nossa, esta experiência nos diz algo mais sobre ambientes educacionais bilíngües. Crianças que crescem nestes contextos aprendem a otimizar o gerenciamento dos seus conhecimentos e desenvolvem uma capacidade de adaptação forte, todas habilidades que serão fundamentais para o sucesso de todo o seu extraordinário potencial.

Estudo: “Flexible Learning of Multiple Speech Structures in Bilingual Infants Science” in Science, 9/7/09, Vol. 325 no. 5940 pp. 611-612. DOI: 10.1126/science.1173947

Autores: Agnes Melinda Kovacs and Jacques Mehler

Artigo original:

http://www.assisinternationalschool.org/news/la-miglior-educazione-non-parla-una-sola-lingua/

Tradução: Silvia Brambilla (Colégio Rainha da Paz – Aracati – CE)